quarta-feira, 12 de junho de 2013

Uma nova visão da acumulação de capital

Um dos terríveis erros ideológicos que o marxismo popularizou em seus discursos de massas foi a idéia de que pouco a pouco a riqueza se acumularia em umas poucas pessoas, enquanto os demais seriam cada dia mais pobres.


Esta idéia era seguida de uma conclusão: o capitalista, o "rico", era o inimigo, que dia-a-dia enriqueceria a custa de empobrecer o proletariado.

Esta simples idéia, ampliada pela propaganda, produziu um efeito nefasto: em toda a sociedade "marxistizada" passaram a considerar o empresário como o inimigo a combater, na crença que seriam os "ricos" empresários os que iriam tornando a massa do povo em "pobres".

Com isso se confundiram absolutamente dois conceitos que são independentes e contraditórios: o Poder do Dinheiro e a Propriedade ou Riqueza individual.

Ao confundir ambos os temas, o marxismo lançou o ódio das massas contra a propriedade individual, em vez de centrar-se em controlar o Poder do Dinheiro. A eliminação da propriedade foi o mais absoluto desastre do marxismo, obrigou a uma rígida ditadura até extremos surpreendentes, converteu a economia em um "funcionário" inapto, idealizou uma igualdade anti-natural e irrealizável e com tudo isso semeou seu próprio funeral.


Se observarmos a realidade, vemos que a riqueza, tanto em bens privados como de produção, não se acumularam em absolutamente nada, mas que precisamente tem se difundido bastante. Hoje em dia há no Ocidente uma ampla base de "proprietários" tanto de bens como de "ações" ou "capital investidos". As grandes empresas atuais não são propriedade individual, como acontecia nos tempos de Marx (quem não teve a mais mínima visão de futuro, equivocando-se em quase todas as suas análises). O que o marxismo entendia como "capitalismo empresarial" não era mais que uma etapa infantil e inicial do autêntico capitalismo.

O sistema capitalista é muito mais sofisticado. Seu desenvolvimento não se baseia em nada nos "empresários" ou em pessoa, mas em "sociedades" ou poderes coletivos. A propriedade dos meios de produção atuais não está acumulada em poucas pessoas, mas difundida em enormes quantidades de pequenos acionistas-proprietários, em fundos de pensões e de investimentos que são "propriedade de centenas de milhares de pessoas.

Hoje em dia a riqueza de uma só pessoa é ridícula em comparação às acumulações de capital necessárias. Inclusive os poucos grandes multimilionários que saem nas revistas "Forbes" cada ano, tem na verdade muito menos "propriedade" do que parece, com muitas raras exceções. Sim, há algum empresário industrial realmente importante, mas a maioria das grandes fortunas estão nas mãos de "Fundações" ou grupos sobre os quais não tem um poder absoluto. As irmãs Koplovitz não podem fazer o que querem com o “Corte Inglés” (“grande empresa na qual troca papel moeda por objetos”), mas sim através de uma Fundação, e com as “maquinações” e controles que a própria Fundação exige. E em poucas gerações a propriedade ficará ainda mais dividida. (lembrem-se dos protocolos de Sião, dividir para conquistar!! Essa é a idéia judaica materialista!)


Em contraste, o que se tem produzido é uma concentração do Poder Econômico. Nunca como agora, e cada dia mais, o Dinheiro domina a sociedade. E ao dizer o Dinheiro não me refiro aos empresários nem aos "ricos", mas a uma série de "centros de poder" do mundo econômico, que sem ser realmente proprietários majoritários, sim são "controladores" majoritários do dinheiro. Uns poucos bancos, uns quantos fundos de investimentos e pensões, companhias de seguros, agrupações econômicas e corporações financeiro-industriais, dominam bilhões de dólares que não são seus, mas que sim controlam como se fossem!

Hoje em dia uma indústria não domina, mas que é dominada por seu estado financeiro. É o meio financeiro o que domina o meio produtivo. O empresário moderno não faz o que quer, mas sim o que permitem os bancos ou os meios financeiros, Bolsa, etc que proporcionam suas necessidades imensas de financiações. O capital acumulado em um fundo de investimento é muitíssimo maior que a maior fortuna pensável, e, além disso, não se divide por herança nem sofre a perseguição fiscal. Milhões e milhões de dólares, marcos ou Yens são manejados por parte de uns poucos "financeiros" que não são seus proprietários mais seus administradores.

O poder econômico é imenso, a sociedade política tem desaparecido e não tem autonomia alguma. São centros econômicos os que decidem o que se "deve" fazer. A concentração de poder é uma realidade, enquanto que a propriedade ou riqueza tem sido difundida.

A maioria dos trabalhadores seguem com uma opinião repetida sempre equivocada, vendo só o "rico" patrão, e acreditam que são explorados pelos “segundões” que aparecem como fantoches de circo. Segue sendo o reflexo daquele tremendo erro do marxismo ao considerar o empresário como o "poder econômico" dominante. O Empresário se "vê", é palpável, provoca a raiva e é fácil de observar. Com a insignificância que caracteriza as massas, seguem protestando diante da casa do empresário (quem sem dúvida pode ser um sem-vergonha em bastantes casos), mas que realmente tem uma responsabilidade muito limitada nos efeitos da política econômica real. Seguramente uma empresa pode despedir massivamente seus funcionários sem que nada possa fazer o empresário para evitá-lo. São quem decidem os tipos de interesse, as massas de créditos ao consumo ou as equivalências de moeda, os que movem capitais do Terceiro Mundo segundo pactos de comércio e de exportação, os quais realmente tem levado a empresa para montar sua fábrica no Marrocos ou para ter dificuldades de financiação. As restrições de créditos produzem as demissões, não os empresários somente. As decisões dos fundos de investimentos provocam a alta dos interesses que se devem pagar pela Dívida, e com isso as necessárias restrições de investimentos nos Cálculos Monetários...  e isto vai direto na demissão ou a outras repercussões na massa trabalhadores... sem que o empresário tenha pouco ou nada que dizer.


Mas não viram quase nunca manifestações de trabalhadores ante o pequeno escritório da União de Bancos Suíços, ou dos fundos de pensões de Seguros X, nem das corporações financeiras... Não, as pessoas seguem carregando contra o Sr Y, empresário. O poder financeiro que domina o mundo é anônimo, não dá a cara. Nem sequer quando dá, como nas reuniões do FMI ou do G8, as pessoas se dão conta de que ali realmente está o poder. Os responsáveis de que bilhões de dólares saiam ou entram, com todas as suas conseqüências posteriores, nem com conhecidos nem ninguém exige explicações, são anônimos financeiros que manejam dinheiro anônimo, de milhares de pessoas, e que não manejam segundo as orientações e decisões de um Poder Econômico que fixe suas próprias regras. Essas regras são simples: não há barreiras para o dinheiro, não há poder político nem ideal nem objetivo que possa se impor sobre o único objetivo: o benefício e o poder do dinheiro. Este é sua única Lei.

É preciso compreender que os velhos "tics" do marxismo já não servem. A grande exigência do mundo moderno é por o poder político sobre o mero interesse econômico. Tomar decisões políticas não "induzidas" pela Economia, mas pela vontade de futuro, um marco de decisões políticas que a Economia deve servir, não organizar nem mudar.

E eliminar essa idéia de que todo trabalhador é o "bom" e todo empresário o "mal", ou seja, acabar com a luta de classes, e com as visões do século XIX do capitalismo. O Sistema é muito mais poderoso que os antigos "ricos" exploradores. Agora nos explora um poder anônimo, uma organização de organismos e leis econômicas que atuam de forma autônoma, sem cara, mas com a mão de ferro.

Agora há que voltar a reconhecer que tinham razão os que diziam que o problema não era a luta de classes, nem o empresário, nem a propriedade, nem a igualdade forçada, mas o Poder da Finança, o Banco, a materialização da sociedade, haver convertido a Economia no único Deus de barro ao qual todos devem adorar.

 fonte:http://www.nuevorden.net/portugues/b_906.html

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