sexta-feira, 22 de junho de 2012

Semana da arte moderna e o movimento verde-amarelo

A Semana de Arte Moderna de 1922, realizada em São Paulo, no Teatro Municipal, de 11 a 18 de fevereiro, teve como principal propósito renovar, transformar o contexto artístico e cultural urbano, tanto na literatura, quanto nas artes plásticas, na arquitetura e na música. Mudar, subverter uma produção artística, criar uma arte essencialmente brasileira, embora em sintonia com as novas tendências européias, essa era basicamente a intenção dos modernistas.

Durante uma semana a cidade entrou em plena ebulição cultural, sob a inspiração de novas linguagens, de experiências artísticas, de uma liberdade criadora sem igual, com o conseqüente rompimento com o passado. Novos conceitos foram difundidos e despontaram talentos como os de Mário e Oswald de Andrade na literatura, Víctor Brecheret na escultura e Anita Malfatti na pintura.

Em 1924, Cassiano Ricardo, Menotti Del Picchia e Plínio Salgado fundam o Movimento Verde-Amarelo, de tendência nativista, em oposição ao "nacionalismo afrancesado" de Oswald de Andrade um dos idealizadores Movimento Antropófago. Oswald revida em sua coluna Feira das Quintas, com o artigo "Antologia", publicado no Jornal do Comércio, em de 24 de fevereiro de 1927. Nele, Oswald faz uma série de brincadeiras, utilizando palavras iniciadas ou terminadas com anta, pois os "verdes amarelos" elegeram como símbolo nacional a "anta".
Em 17 de maio de 1929, o Grupo da Anta publica no jornal Correio Paulistano, o Manifesto Nhengaçu Verde-Amarelo:
Manifesto Nhengaçu Verde-Amarelo (fragmento)
O grupo "verde-amarelo", cuja regra é a liberdade plena de cada um ser brasileiro como quiser e puder; cuja condição é cada um interpretar o seu país e o seu povo através de si mesmo, da própria determinação instintiva; - o grupo "verde-amarelo", à tirania das sistematizações ideológicas responde com a sua alforria e a amplitude sem obstáculo de sua ação brasileira. Nosso nacionalismo é de afirmação, de colaboração coletiva, de igualdade dos povos e das raças, de liberdade do pensamento, de crença na predestinação do Brasil na humanidade, de em nosso valor de construção nacional.
Aceitamos todas as instituições conservadoras, pois é dentro delas mesmo que faremos a inevitável renovação do Brasil, como o fez, através de quatro séculos a alma de nossa gente, através de todas as expressões históricas.
Nosso nacionalismo é "verde amarelo" e tupi.
[...]
Pelo manifesto podemos concluir que a linha básica do verde-amarelismo era a composição de textos patrióticos, ufanistas e de idealização do país.

Mais tarde Plinio Salgado que participou do movimento verde e amarelo viria a criar o Integralismo
O Movimento Integralista brasileiro é um movimento de cultura que abrange:

1º) Uma revisão geral das filosofias dominantes até o começo deste século e, conseqüentemente, das ciências sociais, econômicas e políticas;

2º) A criação de um pensamento novo, baseado na síntese dos conhecimentos que nos legou, paralelamente, o século passado.

O integralismo, pois, no Brasil, é bem diverso do integralismo francês de Charles Maurras, porque esse não passa de um "nacionalismo integral", com a preocupação de restaurar as tradições; diverso é, também, do integralismo lusitano, que transplantou o sentido tradicionalista da corrente gaulesa, com a tendência de reatar o processo social moderno ao espírito medievalista; e diferente é, por outro lado, não só do "racismo" alemão, cuja tese de superioridade étnica exprime um prejuízo de cultura, como, ainda, do "fascismo" italiano, ao qual somente nos assemelhamos no concernente à nova atitude do Estado, em face da luta social.

Trata-se, portanto, de um movimento original, genuinamente brasileiro, com uma própria filosofia, um nítido pensamento destacado na confusão do mundo contemporâneo.
O Integralismo tem como objetivo a integração do povo brasileiro, a valorização da identidade nacional, da língua (portuguesa), do país como um todo unido e indissolúvel, o repúdio aos regionalismos dissolventes da Nação, a valorização das nossas origens e a difusão do espiritualismo.

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