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segunda-feira, 28 de julho de 2014

O antifascismo como detergente para alternativos


Dizem que do porco se aproveita quase tudo. Pois do "fascismo" acontece algo similar, o que não deixa de ser toda uma coincidência favorável ao Sistema.

O "fascismo" é como uma espécie de bolsa de alfaiate onde se mete de tudo. O ETA é fascista, os sérvios são nazis, o PP tem reflexos fascistas, Anguita é acusado de social-fascista, a lei de estraneidade é fascista e a bomba atômica francesa também, tanto Le Pen como os integristas islâmicos são fascistas, há o eco-fascismo para condenar aos demasiado amantes da Natureza, e assim qualquer outro tema que desgoste o paladar democrático-liberal.


As palavras não assumem seu conteúdo real mas o significado que lhes dá as "mídias" da comunicação de massas. Assim não serviria de nada tentar explicar o que é realmente o fascismo às massas televisivas, são já irrecuperáveis para a verdade, pois vivem em um mundo de fantasia e mentira, no qual o do fascismo é o de menos. As mentiras do sistema são tão globais que se não compreendem o lixo que lhes vendem como "moral democrática-liberal" muito menos vão entender sutilezas políticas.

Mas ultimamente se está dando um novo uso à palavra "fascismo" que é realmente curioso, por estar protagonizado pelos próprios "fascistas", com o qual a confusão e desordem mental é já completo.

Tudo começou já há bastantes anos com as tentativas de montar uma Falange de "esquerdas", como resposta contrária ao lixo direitista que se havia convertido na Falange do franquismo.



Era evidente que somente uma brutal ruptura podia convencer as "gentes" de que aquela Falange de ultra-fascistas e ultra-direitistas que havia ocupado o posto oficial durante o franquismo NÃO era a "autêntica", mas um produto adulterado pelos militares e pelas classes conservadoras e reacionárias após a guerra civil. E a brutal ruptura aconteceu assumindo posturas de esquerda radical, tratando de serem "aceitos" entre os ácratas (anarquistas) ou heterodoxos da esquerda.

Mas não se conseguiu quase nada devido que a esquerda daqueles anos (finais dos 70) estava ainda centrada em Moscou e na ortodoxia marxista, eram também muito marxistas e pouco revolucionários, não entendia também o conceito de Sistema, mas que viam somente uma parte desse Sistema.

E por outra parte, certamente, essa Falange "Autêntica" não tinha nada de "autêntica"! Se falsa e corrompida havia sido a "direitização" da Falange promovida por Franco, Fernandez Cuesta, Pilar Primo de Rivera e demais chefes da falage-franquismo, também era "falsa", e absolutamente fora do sentido original, a Falange "autêntica" de uma esquerda liberal sem importância, espécie de mistura ou porção de bruxa novata, que não suportava a mais mínima comparação com os textos e o caráter inicial falangista.

Recordo que no CEDADE publicamos um livro "Falange, partido fascista" que provocou todo tipo de ameaças por parte de alguns falangistas do novo movimento. Como Secretário Geral do CEDADE e editor do livro escrevi advertindo-lhes que estava disposto a publicar quaisquer dados que demonstrasse que algo do que se dizia nesse livro era falso. Ou não nos responderam ou algum que outro escreveu dizendo que embora fosse verdade, dizer-lo era um ataque às suas tentativas de se distanciar-se do falangismo franquista.



Ou seja, que para deixar de ser direitistas deviam recorrer à mentira?! NÃO, se podia demonstrar claramente o caráter falso da Falange franquista, mas para isso deviam recorrer à sua essência, e então se descobria que a Falange realmente era mais um dos movimentos "fascistas" dos anos 20/30, e isso ainda era pior! Saíam das brasas franquistas para cair no forno crematório do "fascismo"!

Depois da queda do comunismo real e a ruína conseguinte da ideologia marxista como tal (fica o marxismo adulterado e deturpado da esquerda democrático-liberal à qual se converteu o comunismo moderno, mas isso é já Sistema puro), parecia que chegou o momento de criar uma frente contra o Sistema de novo, esta vez sem exclusões. Uma boa parte dos NR's mais radicais assumiram esta possibilidade como a única racional na política.

Mas quando se apresentam ao palanque público para propor uma frente unida contra o Sistema, livre dos ultra-fascistas e dos militarismos conservadores, livre dos marxismos liberais, radicalmente contra o sistema capitalista democrático-liberal que governa o mundo, as velhas costureiras do comunismo, educadas na Romênia com Ceaucescu e nos cursos de Praga, lhes recriminam todo o passado fascista e nazi destes NR's. Não são capazes de superar os velhos fantasmas do "anti-fascismo" profissional e continuam com a cantiga de "nazi, nazi!".

Nos pedem que esqueçamos seu passado de obedientes cortesãos de Brejnev e demais múmias tirânicas do comunismo-Movimento, mas não aceitam o passado de militantes fascistas.

Este é o drama dos NR's de esquerda. E então o Mago Merlín lhes anuncia que para estar "limpos" tem um "sabão milagroso": o "anti-fascismo". Sim, esse "anti-fascismo" que era como uma espécie de cola que unia todas as famílias de liberais e marxistas, desde os Gaullistas da direita aos troskystas. Todos eram disciplinados quando soava a trombeta, a chamada do "anti-fascismo". Essa mesma cola que se chama "bloco democrático" (ou republicano, segundo a nomenclatura oficial) estavam na França para votar contra Le Pen juntos comunistas e burgueses do Grande Capital gaullista.

O "anti-fascismo" como detergente para poder estar presente na festa social da política "limpa".

Não falamos do anti-ultra-fascista, ou seja, a denúncia e ruptura com os ultra-fascistas e nacional-direitistas, com os lixos reacionários de nacional-católicos ou os matadores pistoleiros do franquismo posterior, com as máfias de leiloeiros, com os vândalos disfarçados de skin ou com os pega-imigrantes... Com toda essa gentinha se pode e deve romper sem deixar de ser "fascista" no sentido essencial, mas por contra sendo-lo precisamente.



Não, o "anti-fascismo" é o que diz respeito à tudo o revolucionário e anti-sistema que nasce do fascismo original, o é contra a ESSÊNCIA anti-liberal e vitalista disso que se chamou "fascismo".

O que "limpa" do "anti-fascismo" é precisamente renunciar esse pensamento cruel, radical, e real que levou a meia Europa a enfrentar a democracia burguesa e o marxismo hasteando uma nova bandeira, uma nova ética e estética. Mas precisamente essa nova essência é a única coisa que pode dar uma alternativa ao Sistema de valores "modernos". Se nos limpamos no "anti-fascismo" perdemos essa essência, já não somos mais que um ramo asséptico (desinfectado) e sem valores, podemos entrar na "aliança de sociedade" pois já não trazemos o vírus mortal que tanto teme o Sistema.

Se perdemos a arte e a estética, a ética, a Cosmologia e a cultura do "fascismo" só nos resta a charlatanice politiqueira, as reclamações econômicas e a culturinha dos "rebeldes sem causa" do rock moderno. Isso não assusta o Sistema, ao contrário, é sua "outra cara", a do rebelde grotesco, sem contato popular, que pode ser compreendido perfeitamente no circo de rebeldes e sectários, loucos e alucinados soldados que montaram esta sociedade drogada e putrefata.



O que não aceitam é um movimento popular, baseado nas raízes étnicas e naturais do povo, que compreende a Natureza e a realidade, sem neurose, sem extravagâncias, com uma arte nova, e uma cultura séria. Este é o inimigo "fascista".

Limpar-vos com o "anti-fascismo" e sereis estéreis, havereis perdido precisamente a semente do novo mundo, levareis somente palavras e gritos, mas sem a terra, sem o Povo.

http://http://www.nuevorden.net/portugues/b_02.html

terça-feira, 22 de julho de 2014

Como Israel se armou

A cobertura da imprensa estadunidense dos ataques israelenses à Autoridade Nacional Palestina (ANP) e às cidades palestinas na Cisjordânia, normalmente tratam o governo dos EE.UU. já seja como observador não comprometido, inocente ou mediador honesto no conflito, sem dar uma perspectiva (ponto de vista) no sentido da importância do papel dos EE.UU. como abastecedor de armamento, ajuda e tecnologia militar à Israel. Em seu papel de principal abastecedor de armamento à este país, os EE.UU. poderia obter uma potencial e significativa influência sobre o comportamento de Israel no conflito, se assim o quisesse.




Ajuda militar e econômica

Desde 1976, Israel foi o principal receptor da ajuda exterior estadunidense. De acordo com o relatório do Serviço de Investigação do Congresso dos EE.UU., de Novembro de 2001, a ajuda estadunidense à Israel no passado meio século chegou a um gigantesco 81,3 mil milhões de dólares.

Em anos recentes, Israel continua sendo o principal receptor da assistência militar e econômica de seu aliado. O dado freqüentemente mais citado é de 3 mil milhões de dólares ao ano, dos quais 1,8 mil milhões anuais são doações de fundos de dentro do Financiamento Militar Externo (FME) do Departamento de Defesa, e mil e 200 milhões anuais do Fundos de Apoio Econômico do Departamento de Estado. No anterior decênio (década), as concessões FME somam 18,2 mil milhões de dólares. Na realidade, 17 por cento de toda a ajuda exterior estadunidense se destina à Israel.



Venda e doações de armamento

Israel é um dos mais importantes importadores de armas procedentes dos EE.UU.. Na década passada, este houve vendido à Israel 7,2 mil milhões de dólares em armamento e equipamento militar, 762 milhões através de Direct Comercial Sales (Vendas Comerciais Diretas, VCD), mais de 6,5 mil milhões mediante o programa de FME. Desta forma, Israel possui a frota de aviões F-16 maior do mundo fora dos EE.UU., tendo mais de 200 jatos, mais outros 102 F-16 da empresa Lockheed Martín.

Os EE.UU. também houve apoiado a indústria armamentista israelense ao dar-lhe:

— 1,3 mil milhões para desenvolver navios Lavi, 625 milhões para desenvolver e dispor de mísseis anti-mísseis Arrow (o projeto continua seu curso);

— 200 milhões para desenvolver tanques Mercava (operativos); a mais recente versão, o Mercava 4, usa um motor diesel V-12 de origem alemã produzida sob licença nos EE.UU. pela empresa General Dynamics;

— 130 milhões para desenvolver um sistema anti-mísseis laser de alta energia.

Se bem que a totalidade da ajuda à Israel está destinada a diminuir nos próximos cinco anos, a assistência (ajuda) militar aumentará significativamente. Um dos últimos atos de Bill Clinton foi assinar um acordo com Israel até 2008. Ao mesmo tempo, paralelamente, os fundos do FME à Israel aumentarão em 60 milhões a cada ano, de tal modo que em 2008 alcançarão 2,4 mil milhões de dólares.




Armas grátis

Os EE.UU. também presenteia armamento e munições como parte do programa Excesso em Artigos de Defesa (EAD), dando estes sem custo algum. Entre 1994 e 2001, os EE.UU. proveu (proporcionou; concedeu) a maior parte de armas à Israel mediante este programa, incluindo 64.744 rifles N-16A1, 2.469 lança-granadas M-204, 1.500 pistolas calibre .50 M-2, munições calibre .30, .50 e 20mm.



Armamento estadunidense no arsenal israelense; lista seletiva.

Quantidade de armamento e custos de manufatura por unidade:

Aviões de combate: F-4E Phantom 50 Boeing, 18.4 milhões de dólares; F-15 Eagle 98 Boeing, 38 milhões; F-16 Falcon 237 Lockheed Martín, 34.3 milhões.

Helicópteros: AH-64 Apache 42 Boeing, 14.5 milhões; Cobra Attack 57 Bell Textron, 10.7 milhões; CH-53D 38 Sikorsky e Blackhawk 25 Sikorsky, 11 milhões.

Mísseis: AGM 65 Maverik Raytheon, 17 mil a 110 mil; AGM 114 Hellfire Boeing, 40 mil; Tow Hughes, 180 mil; AIM 7 Sparrow Raytheon, 125 mil; AIM 9 Sidewinder Raytheon, 84 mil; AIM 120 B Amraam Raytheon, 386 mil; Patriot Raytheon, Lockheed Martín e Harpoon Anti-Ship Missile Boeing, 720 mil.

A escala dos ataques do exército israelense contra cidades palestinas e campos de refugiados na Cisjordânia houveram sido  “desproporcionados”, de acordo com um relatório recente da Anistia Internacional. A organização estima que nas seis semanas, que foram do primeiro de Março à meados de Abril, mais de 600 palestinos foram assassinados e mais de 3 mil houveram sido feridos por soldados israelenses.

O uso de armamento estadunidense no conflito entre Israel e os palestinos parece ser uma violação flagrante (clara; evidente) da Ata sobre Controle de Exportação de Armamento, que proíbe o uso de armas estadunidenses para fins não defensivos.

Os relatórios do escritório sobre Direitos Humanos do Departamento de Estado 2001, publicado em Março de 2002, afirmavam que o exército israelense  “empregou excessivamente o uso da força”  contra os palestinos e destaca que se recorreu ao uso da força inclusive em momentos quando não existia perigo iminente (evidente). O relatório do Departamento de Estado também menciona que os militares israelenses  “dispararam fogo de morteiro contra as instituições da ANP e áreas civis em resposta à ataques individuais palestinos contra civis israelenses ou colonos”.

 Estes comentários demonstram que os EE.UU. sabem que as armas não estão sendo usadas para propósitos de  “legítima defesa”, tal como o estipula a Ata.

O Secretário Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, expressou recentemente suas objeções (argumentos; réplicas), assim como preocupação pelo uso de armamento estadunidense por parte do exército israelense, ao afirmar:  “me sinto obrigado a chamar sua atenção para com condutas preocupantes no tratamento à civis e trabalhadores de agências de ajuda humanitária por parte do exército israelense”. A julgar pelos meios e métodos empregados (bombardeiros F-16, helicópteros e canhoneiras [se dizem das embarcações armadas com algum canhão] navais, mísseis e bombas de grande tonelagem), o combate chegou a parecer uma guerra tradicional.

No processo, centenas de inocentes civis não combatentes (homens, mulheres e crianças) houveram sido feridos ou assassinados e muitas construções, edifícios e lares, danificados ou destruídos. Se houveram disposto (posto; organizado) tanques em campos de refugiados densamente povoados e em povoados e cidades e explosivos pesados houveram sido soltos a poucos metros, de cima, nos tetos de escolas onde milhares de crianças assistiam aulas.

(*) William D. Hartung e Frida Berrigan são pesquisadores do projeto Arms Trade Resource Center, do World Policy Institute da New School University (EE.UU.).
 fonte: http://www.nuevorden.net/portugues/n_1.htm